Sinética. Qualidade acima de quantidade

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A Sinética (Synectics) é considerada uma das técnicas mais complexas do pensamento criativo. Foi desenvolvida por Gordon em 1957, como um aperfeiçoamento do brainstorming. Seu objetivo? Evitar percursos tradicionais e soluções imediatas e conhecidas.

Baseia-se em dois tipos de mecanismos mentais:

  1. transformar o estranho em familiar
  2. transformar o familiar em estranho

TRANSFORMAR O ESTRANHO EM FAMILIAR
Este é um processo conservador e natural do ser humano que leva a
soluções tradicionais. Para alcançar a inovação, é importante romper com essa
tendência conservadora e percorrer o caminho inverso, transformando o familiar em estranho.

Para a transformação do estranho (desconhecido ou complexo) em algo familiar e compreensível, recomendam-se os seguintes procedimentos:
• Análise (decomposição em partes)
• Síntese (redução em esquemas: mapas ou diagramas fomentam a simplificação)
• Generalização (relacionar com situações concretas e conhecidas)

O mecanismo mais interessante e característico da Sinética, é a transformação do familiar e conhecido em algo estranho e novo.

TRANSFORMAR O FAMILIAR EM ESTRANHO
Com este fim, a Sinética recorre a quatro tipos de analogias para encontrar
perspectivas pouco comuns:
• Analogia pessoal
• Analogia direta
• Analogia simbólica
• Analogia fantasiosa

Analogia pessoal – a pessoa coloca-se no lugar do processo,
produto, mecanismo que pretende desenvolver. Exemplo: o indivíduo pode
imaginar-se no lugar de uma molécula flutuando no espaço, colidindo com
moléculas vizinhas.

Analogia direta – são feitas comparações com fatos reais, tecnologias ou
conhecimentos semelhantes. Exemplo: no desenvolvimento de máquinas
rastejantes para andar em solos acidentados, observou-se o movimento dos
insetos, que avançam as pernas dianteira e traseira de um lado e a perna central
do outro, mantendo a sustentação.

Analogia simbólica – utiliza-se de imagens objetivas e impessoais para
descrever o problema. Exemplo: para o desenvolvimento de um mecanismo
compacto para levantar pesos, imaginou-se uma corda indiana, que sai do cesto
e fica em pé.

Analogia fantasiosa – foge às leis e normas estabelecidas. Esta analogia apela
para a irracionalidade, fugindo de regras convencionais. É uma fuga consciente
para um mundo fantasioso. Exemplo: imaginar o funcionamento de um
mecanismo fora da lei da gravidade.

Numa sessão de Sinética, estas quatro diferentes analogias ocorrem
simultaneamente, não sendo possível nem útil separá-las.

Mediante o pensamento analógico, a Sinética considera as duas vertentes do
processo criativo:
• O pensamento emocional e irracional
• O pensamento racional e lógico

Esta técnica tem como objetivos:
• Permitir que o indivíduo perceba a realidade de forma não corriqueira, fazendo com que um grupo de pessoas faça emergir, do nível inconsciente, várias ideias chegando à solução do problema proposto;
• Aumentar a consciência e os mecanismos que podem ser utilizados para chegar a novas soluções de um problema;
• Obter respostas de qualidade e não de quantidade.

A Sinética constitui um pilar a habilidade de síntese, onde indivíduos criativos
fazem um agrupamento de elementos que parecem diferentes e irrelevantes a
solução de um problema. Trata-se de uma técnica de resolução de problemas
que faz uso do pensamento criativo. Por outras palavras, é uma habilidade onde
o indivíduo usa ingenuidade e imaginação no momento de concepção e síntese
de uma nova ideia ou produto.

A Sinética é uma teoria ou sistema de estado e correção de problemas baseado
no pensamento criativo e envolve o livre uso de metáforas e analogias num
intercâmbio informal de informação fornecido por um grupo de pessoas de
diferentes personalidades e áreas de especialização.

As Relações Forçadas são um método muito útil de geração de ideias.
Basicamente consiste na comparação de um problema com algo que tem pouco
ou até mesmo nada em comum e tentar adaptar os atributos como resultado final.
É possível forçar relações entre qualquer conceito (em casos extremos há
mesmo quem abra um livro a sorte aponte para uma palavra de forma a encontrar relações). Uma forma produtiva de desenvolver essas relações é possuir uma seleção de
objetos ou imagens que ajudem na geração de ideias. Juntamente com a
técnica de Mapa Mental a exploração das ideias é feita de forma mais fluida e
coerente.

A diversidade de conhecimentos e caracteres presentes no grupo de trabalho é a
chave de ouro para que estas técnicas ajudem a atingir o sucesso pretendido.

Sinética, o grupo de trabalho, normalmente composto de 5 a 10 especialistas
diversos, explora todos os aspetos possíveis e amplos do problema. Visando
evitar ideias conservadoras, muitas vezes apenas o líder do grupo conhece o
verdadeiro problema e o apresenta de forma ampla. Por exemplo, se tratando de
um abridor de latas, o líder pode propor o conceito de abertura para ser
investigado pelo grupo e este deve pensar em meios para promover a abertura,
incluindo analogias com elementos da natureza. A Sinética reconhece dois tipos
de mecanismos mentais: transformar o estranho em familiar e o familiar em
estranho.
Estas analogias ocorrem simultaneamente, embora o líder do grupo possa
estimular o grupo a procurar intencionalmente certos tipos. Como ocorre com o
brainstorming, as ideias geradas devem ser posteriormente avaliadas e
desenvolvidas, construindo-se modelos e protótipos para testes.

Uma observação importante que deve ser feita em relação à Sinética é que só
deve ser aplicada em situações em que o problema se encontre bem definido.

Essa técnica tem pouca ou nenhuma utilidade na identificação de problemas.
Christopher Jones divide o processo em quatro etapas:

Formação do grupo com representantes das mais diferentes áreas, com
conhecimentos vinculados ao projeto em questão. Indicar a essência do problema e estimular o grupo no uso das analogias.
Finalizados os exercícios com analogias, seguem-se as seguintes etapas:
a. Expor o problema projetual
b. Relacionar as soluções óbvias para o mesmo
c. Familiarizar-se com o problema
d. Definir o problema, observando seus conflitos
e. Iniciar o processo de solução utilizando um dos tipos de analogias citados.
Após o desenvolvimento da ideia, é necessário realizar testes para verificar seu
valor como solução inicial.

 

 

 

 

 

 

 

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