Pouca inovação e baixa produtividade, os males do Brasil

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Dentre as várias explicações para esses males, uma das facetas seria o desequilíbrio entre a nossa produção científica e a tecnológica

O presidente do IPT, Fernando Landgraf, concede entrevista à Folha dentro da câmara de compatibilidade eletromagnética do instituto, em São Paulo, em outubro de 2014
O presidente do IPT, Fernando Landgraf, concede entrevista à Folha dentro da câmara de compatibilidade eletromagnética do instituto, em São Paulo, em outubro de 2014 – Apu Gomes – 16.out.14/Folhapress

Na trilha de Mário de Andrade (1893-1945), descobrimos nos últimos 20 anos novos “males do Brasil”. Encontram-se na parca intensidade de inovação tecnológica no setor industrial, que reforça a baixa produtividade da nossa economia.

Dentre as várias explicações para esses males, uma das facetas seria o desequilíbrio entre a nossa produção científica e a tecnológica.

Nos últimos cem anos, o governo federal e os estaduais tomaram iniciativas que levaram a contribuição científica anual brasileira a se equiparar à nossa participação econômica no PIB mundial: somos 3%.

Desconfortável é nossa participação no número anual de patentes, com uma contribuição dez vezes menor, que não pode ser creditada à morosidade nos registros.

Na maior parte do mundo, a produção científica é gerada em universidades, com forte subsídio público. A inovação tecnológica se dá principalmente nas empresas, pois são elas que enfrentam os desafios e os riscos de transformar ideias em processos e produtos.

Diz a lenda que falta ao empresariado brasileiro mais apetite ao risco de enfrentar esses desafios.

Uma hipótese atraente seria reduzir esse risco aproximando os empresários das instituições de ciência e tecnologia. Várias iniciativas foram criadas, da parte dos governos, para compartilhar o risco da inovação: o BNDES criou um fundo que subsidia a parceria entre empresas e instituições de pesquisa (Funtec).
Esse mesmo banco também fez empréstimo de porte à CNI (Confederação Nacional da Indústria), para viabilizar os institutos Senai de inovação. O Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações viabilizou a Embrapii (Associação Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial), um mecanismo de fomento ágil e bem-sucedido, enquanto a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) fortaleceu seus programas de apoio a empresas (Pipe e Pite).

Graças às iniciativas de compartilhamento dos riscos da inovação, foi possível aumentar, de 11% em 2011 para 40% em 2017, a participação da receita do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) com projetos inovadores em parceria com empresas.

No âmbito paulista, a intenção de acelerar esse processo levou a uma importante ação da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Governo do Estado em 2017: a alocação de R$ 120 milhões, provenientes do orçamento da Fapesp, para projetos dos institutos de pesquisa estaduais, criados justamente para fazer a ponte entre a ciência gerada nas universidades e as demandas da sociedade.

O IPT, instituto que tem 118 anos em contínua transformação, decidiu utilizar esse novo recurso para reforçar sua capacitação em tecnologias de transformação digital voltadas à manufatura avançada e às cidades inteligentes e sustentáveis, em parceria com universidades nacionais e estrangeiras.

O instituto selecionou projetos focados em aspectos tecnológicos, como a produção das matérias-primas para a impressão 3D; sistemas de gestão da saúde estrutural da infraestrutura dos municípios; e a combinação de big data analytics com ferramentas científicas para simulação virtual de fenômenos biológicos, físicos e químicos para a otimização de processos industriais.

Nossos pesquisadores apostam que essas tecnologias contribuirão para o aumento da produtividade de nossa economia.

Fernando Landgraf

É diretor-presidente do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas)

Mario Boccalini

É diretor de operações do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas)

 

Via: Folha Uol

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