Perfil inovador. O que as empresas valorizam

“O profissional inovador pode ser encontrado em vários setores de uma empresa”, diz a psicóloga comportamental, Fabiana de Laurentis Russo.

Segundo ela, quem tem esse perfil é curioso, sugere ideias novas, busca informações sobre diversos assuntos, tem facilidade em associar experiências e utilizá-las de maneira transformadora, além de ser criativo e questionador.

“Ele tem em mente que é necessário e fundamental trabalhar em equipe, pois várias mentes pensam melhor que uma, e tem forte senso de coletividade. Além disso, flexibilidade é uma forte característica, que facilita adaptação a situações inesperadas, o que é sempre bem-vindo nas corporações.”

Diretor executivo da Michael Page, empresa global de recrutamento para alta e média gerência, Ricardo Basaglia afirma que a inovação entrou forte na agenda das empresas nos últimos doze meses.

“Minha percepção é de que houve aumento de investimentos nesse conceito. Agora, o desafio das companhias é saber conduzir a inovação para prismas que transcendam a tecnologia em si, isso quer dizer, como aplicar inovação de forma ampla, eficiente e diversificada, seja na gestão de pessoas, na condução de projetos, ou concepção de negócios.”

Ricardo Basaglia. Foto: Gabriela Gonçalves/Divulgação

Em relação ao profissional inovador, ele diz que esse perfil não deve ser confundido com o de alguém com habilidades meramente futuristas.

“Não é isso. Ele é um profissional que sabe olhar para o futuro, mas de forma orientada. Deve ser o responsável por construir a ponte que levará os negócios até o futuro. Portanto, não é alguém que olha à frente e tenta aplicar as tendências no presente imediato.”

Basaglia afirma que em qualquer modelo de negócio, no Brasil e no mundo, tanto o profissional quanto o conceito de inovação esbarram em resistência. “Por isso, a resiliência é uma capacidade determinante para ser um profissional inovador, porque a inovação tira as pessoas da zona de conforto.”

Na visão de um dos fundadores da plataforma de gestão de RH Convenia, Rodrigo Silveira, o que caracteriza o profissional inovador é a mentalidade positiva e uma insatisfação contínua.

“Isso faz com que essa pessoa esteja constantemente buscando melhorar, evoluir processos, produtos etc. É um profissional que contribui além de seu cargo.”

Silveira diz que a inovação pode partir de pequenas ideias que melhorem processos, economizem ou garantam melhor produtividade, até insights para o desenvolvimento de produtos ou serviços. “O importante é que esse profissional esteja em constante evolução, atualizado com o mercado e alinhado com a estratégia da empresa.”

O conjunto de atributos descritos pelos especialistas compõe o perfil do desenvolvedor Luís Felipe Souza, de 26 anos. Ele trabalha na gestora de investimentos Magnetis há quase dois anos, e assim que foi contrato deixou evidente seu espírito inovador.

“A empresa ainda não tinha desenvolvido aplicativo móvel e nem tinha previsão de lançamento, então, sugeri a criação de um aplicativo usando tecnologia Progressive Web Apps (PWA), que ainda era pouco conhecida. Ela permite fazer um aplicativo sem a necessidade de criar um código, a partir do web site da empresa”, conta.

Após apresentar a ideia a todos do time, incluindo o CEO, a proposta foi aceita. “Todos concluíram que seria ótima alternativa para facilitar o acesso dos clientes ao sistema, por meio de celular. Criamos a solução rapidamente e ela é usada até hoje por alguns clientes, mesmo após o lançamento do aplicativo nativo”, diz.

Souza conta que depois de lançar o PWA, a empresa começou a se engajar cada vez mais no mundo mobile. “Acabei sendo deslocado para trabalhar no time de aplicativos. Estou gostando bastante, porque sempre procuramos usar tecnologias bem recentes.”

O jovem diz que trabalhar bem em equipe é importante na área de tecnologia. “Muitas vezes, não dá para suportar sozinho uma ideia muito grande. É preciso passar a ideia para outras pessoas para que ela seja desenvolvida em conjunto.”

Necessidade. Basaglia afirma que o perfil inovador passou a ser desejado pelas empresas por ser fator de sobrevivência, desenvolvimento e amplitude.

“Inovar é uma prioridade para todos os setores. Os seres humanos, não apenas na condição profissional, ou aprendem a inovar ou não saberão chegar com qualidade ao futuro, que chegará cada vez mais rápido.”

A guinada rumo à inovação, segundo ele, começa com a busca por melhor formação tecnológica, domínio da área de atuação, compreensão profunda do ecossistema que envolve a carreira e compromisso de construir pontes entre o presente e o futuro.

“Consiste, enfim, em melhorar o que é feito agora para criar soluções para o amanhã. Esse é um princípio orientador que faz toda a diferença.”

Fonte: Estadão

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