O Grande Inimigo na Criação de Bons Hábitos – Parte 2/3

No artigo anterior vimos algumas dicas para você se tornar um “Exterminador de hábitos ruins”, amenizando maus comportamentos que podem prejudicar objetivos de longo prazo.

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Provavelmente você já colocou algumas balas na sua velha garrucha e está disparando por aí. Ou, pelo menos começou a pensar sobre isso. Ótimo! É uma jornada, são pequenos passos, não é uma mudança brusca e inesperada da noite para o dia, como em um conto de fadas. Não existe mágica quando o assunto é crescimento.

Como disse é um processo, mas é importante entendermos algo fundamental nisso tudo: como criar novos hábitos.

Como criar um Hábito

Charles Duhigg, autor do livro “O Poder do Hábito”, estudou a forma como os hábitos funcionam. Ele entrevistou muitas pessoas, coletou informações e analisou todos esses dados.

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Charles Duhigg (Juninho Pernambucano)

Primeiramente, ele destaca que o nosso cérebro cria hábitos para automatizar comportamentos e, assim, tomar menos decisões, poupando energia para decisões importantes e garantindo uma reserva dela para a nossa sobrevivência. Tomar decisões é algo que exige energia e, quando podemos, evitamos, já que  pensar e analisar envolve nosso cérebro racional e ele, por si só, já é lento e exige esforço. Consequentemente, isso demanda energia. Por isso nosso cérebro, já de praxe, automatiza o máximo de ações que pode e julga necessário, em busca de aumentar sua eficiência quando exigido.

Resumidamente, o processo de um hábito funciona como se fosse um ciclo, passando por 3 etapas, a qual o autor define como “Loop do Hábito”:

1 – Deixa: é como se fosse um gatilho ou um estímulo enviado ao cérebro que o prepara para iniciar uma nova rotina. Indicando a ele para entrar em um processo automático e qual hábito deverá ser usado;

2 – Rotina: é a forma de executarmos a “Deixa”, uma atividade que estamos acostumados a realizar ao lidarmos com o estímulo e que sabemos que garantirá um bom desfecho;

3 – Recompensa: é a sensação ou resultado por ter realizado a tarefa. Ela permite ao cérebro saber se é vantajoso memorizar este loop ou se convém esquecê-lo.

Honestamente, não acredito que seja suficiente apenas ter a deixa, criar a rotina e obter a recompensa. É um processo bem interessante, mas tem algo que pode potencializá-lo…

Motivação

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Soem os tambores, por favor. Solta um “Divano” aí de fundo…

Motivação tem múltiplas interpretações: “conversa fiada ou falta de trabalhar” como diria a minha avó, ou, numa interpretação mais interessante:

“A palavra entusiasmo vem de duas palavras gregas, EN e TEOS. A primeira significa EM, e a segunda é a palavra grega que significa Deus, de forma que realmente a palavra entusiasmo significa EM DEUS, ou, em outra expressão, CHEIO DE DEUS.”
Norman Vincent Peale

Particularmente eu gosto muito dessa interpretação, seja você evangélico, ateu, católico, budista, espírita ou o Daciolo… Enfim, de qualquer crença com que se sinta mais confortável… A ideia central é a de que otimismo está ligado ao fato de nos enchermos de uma força superior e maior do que nós mesmos. Olha a força disso!

Mas, vamos ainda mais longe, vamos falar sobre ciência.

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Daniel Pink (autor de importantes livros sobre trabalho, gestão e ciência comportamental) afirma, com base em estudos e experimentos, que o nosso impulso para a ação não é guiado primordialmente por recompensas mas, sim, por uma motivação intrínseca: uma vontade de fazer as coisas porque você gosta e elas fazem sentido para você, a ponto de se importar com elas.

Segundo Pink, a motivação intrínseca baseia-se em 3 pilares:

  1. Autonomia: a nossa vontade de termos o controle sobre a nossa própria vida, sendo responsáveis por ela e, portanto, independentes;
  2. Domínio: o desejo de nos aprimorarmos em algo que realmente faz sentido para nós, evoluindo continuamente e desenvolvendo as habilidades necessárias;
  3. Propósito: a necessidade de realizarmos uma atividade que pertença a algo maior do que nós mesmos.

Aí você me diz: “ô fera, legal! Vou começar amanhã então. Mas…”

Quanto tempo leva para criar um novo hábito?

Quantos dias você imagina que seja? Pensa aí… Pelo menos duas semanas? 30 dias? Seis meses seria o ideal?

Maxwell Waltz, um cirurgião, na década de 1960 publicou um livro chamado “Psycho-Cybernetics; A New Way to Get More Living Out of Life”. Entre outros pensamentos, ele afirmava que, com base em suas observações profissionais, muitas pessoas levavam pelo menos 21 dias para se adaptar a uma cirurgia plástica ou, em casos de amputação, era a duração mínima para pararem de sentir o membro fantasma e se acostumarem com a prótese nova.

Com base nisso, adotou-se a ideia de que 21 dias é o tempo ideal para construir um bom hábito. Eu segui cegamente, tatuei “21 dias” no braço e taquei brasa nessa filosofia. Até que um dia, minha nutricionista disse que esse tempo estava errado (entre outras notícias desconfortáveis, mas importantes).

Era bom demais para ser verdade! Basta 3 semanas de afinco e você se acostuma com um comportamento positivo! Pouco tempo… o que torna o processo inspirador e factível. Mas, o que o Waltz (Disney) disse é que era um processo mínimo de 21 dias, não de exatamente três semanas. Assim, contadinho e riscando no calendário. Quase que religioso.

Pesquisando, descobri de onde vinha o estudo que a nutricionista mencionou… Phillippa Lally, pesquisador de psicologia da saúde no University College de Londres. Junto à sua equipe, realizou uma pesquisa onde examinou o novos hábitos de 96 pessoas durante 12 semanas. Cada pessoa escolheu entre hábitos simples e difíceis: como correr por 15 minutos todos os dias, tomar um copo de água ao acordar, etc.

Após um ano, os pesquisadores analisaram quanto tempo as pessoas levaram para tornar o hábito automático e esse estudo foi publicado no European Journal of Social Psychology. O resultado? Em média leva mais de 2 meses: 66 dias.

E para formar um novo hábito? No estudo realizado, identificaram que o tempo pode variar de 18 a 254 dias, tudo dependendo do comportamento da pessoa. Ou seja, para implementar um novo comportamento precisamos de pelo menos 18 dias e, para torná-lo um hábito, de 2 a 8 meses.

Essa é a hora que o filho chora e a mãe não entende. É muito tempo! Mas, nem tudo são “tapas na cara”. Segundo os pesquisadores, não tem problema se você escapar do hábito de vez em quando:

“Perder uma oportunidade de realizar o comportamento não afetou materialmente o processo de formação de hábitos.”

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Processo, motivação e tempo de implementação… Onde isso vai parar?

Amanhã tem mais.

Até daqui a pouco!

 

INSPIRAÇÕES E REFERÊNCIAS:
MUDE.VC
JUSBRASIL
GERANDO ÁGUIAS
DILIGEIRO
JOVEM ADMINISTRADOR
O Poder do Hábito, de Charles Duhigg, publicado pela Editora Objetiva.

 

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