O Grande Inimigo na Criação de Bons Hábitos – Parte 3/3

Essa é a última parte de nossa trajetória sobre a criação de bons hábitos. Gostaria de deixar claro que não sou um expert no assunto nem um guru da produtividade. Sou apenas um cara que está correndo com você, provavelmente tendo problemas parecidos e que acredita que a produtividade levada a sério pode nos ajudar tanto no trabalho como fora dele. Principalmente na realização de grandes objetivos e sonhos.

Muitos dizem que o processo de inovação, assim como o empreendedorismo, não é apenas uma corrida com linha de chegada – é uma verdadeira maratona. Todo mundo tem um projeto que quer tirar do papel, ou uma realização com a qual fica sonhando todas as noites, antes de dormir. Mas, que passos estamos dando em direção a ela? Que etapas deste projeto estamos realizando hoje? Podemos realizar mais? Podemos crescer mais? Podemos evoluir mais? Não há como fazer o tempo correr mais devagar, mas podemos otimizá-lo e com certeza melhorar os resultados obtidos em cada fração dele.

Nessa luta constante por implementar melhores e bons hábitos já tive muitos fracassos e poucos sucessos, então gostaria de dividir com vocês algumas coisas que vi que funcionaram. Espero que faça sentido para você…

Método Pomodoro

É uma técnica criada pelo italiano Francesco Cirillo no final dos anos 80. Na época Cirillo era universitário e queria otimizar seus estudos, para isso ele usou um timer de cozinha no formato de um tomate (daí o nome “Pomodoro”, que significa tomate em italiano).

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Francesco Cirillo

Durante os estudos, o italiano focava completamente, quando o timer tocava a sua sirene de interrupção, ele fazia uma breve pausa e em etapas, como abaixo:

  1. Etapa 1: Tarefa X – duração de 25 mins;
  2. Pausa 1: descanso de 3 a 5 mins;
  3. Etapa 2: Tarefa X – duração de 25 mins;
  4. Pausa 2: descanso de 3 a 5 mins;
  5. Etapa 3: Tarefa X – duração de 25 mins;
  6. Pausa 3: descanso de 3 a 5 mins;
  7. Etapa 3: Tarefa X – duração de 25 mins;
  8. Break: descanso de 30 mins;

No trabalho há grandes chances de obter resultados com esse método de concentração intensa. Mas, no seu tempo livre, não imagino que seja a mesma coisa.

Eu, por exemplo, tentei uma variação de etapas de 50 minutos (que, segundo estudos, é o tempo ideal de concentração) e pausas de 10 minutos. Não sou disciplinado, então as pausas vão ficando longas e, geralmente, me concentro com muita dificuldade.

A alternativa que encontrei? Não estipulo etapas, determino um horário de começo e fim, parando esporadicamente, com durações bem curtas e não pré-determinadas. Pode parecer meio maluco, mas acredito que interromper um fluxo de concentração e produtividade em seu tempo livre pode ter proporções destruidoras sobre o processo. Geralmente, uma pequena distração pode se tornar longas pausas. Aí está também a importância do foco nos resultados que se procura atingir.

Recompensas

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Embora o Daniel Pink contrarie a efetividade das recompensas, em partes, eu discordo dele. De acordo com a neurociência, a expectativa de recompensa ativa o núcleo accumbens e libera dopamina, provocando o prazer. Como vimos, sentir prazer nos provoca a vontade de sentir mais prazer.

Portanto, recompensas pequenas e bem estipuladas podem fazer com que você “vicie” (em uma alusão benéfica) em um hábito positivo. Sem falar que ajuda a aliviar o um pouco o estresse gerado com uma rotina apertada e concentrada.

A tal da Motivação

Com relação a isso acredito que não é algo do tipo “vamos melhorar o mundo”.

Curioso… Estava assistindo a uns capítulos do seriado “Mágica para a Humanidade”, com Justin Willman, na Netflix. E, em um determinado capítulo ele aborda crianças e, com mágica, faz elas acreditarem que têm superpoderes, como o fato de congelar uma moeda com elas apenas assoprando a mão dele. Porém, o mais interessante é o momento em que ele faz a seguinte pergunta para uma das crianças:

– Se você tivesse um super-poder, seria para conseguir a paz mundial, levar água potável para a África ou poder voar? – perguntou Willman.
– Levar água para a África – respondeu a criança.
– Boa escolha! Agora sem as câmeras gravando, qual seria o de verdade?
– Poder voar.

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Impressionante a sinceridade de uma criança! É importante termos planos para além de nós mesmos, em um até mais humano. Mas, honestamente, não acredito que será a motivação que vai fazer você conseguir superar as dificuldades atreladas a implementar um hábito diferente. Não falo de olhar apenas para o próprio umbigo. Muito provavelmente, tem alguém próximo com quem se importa muito e… também tem algum problema que martela a sua cabeça o tempo todo. Identificar esse problema e essas pessoas é uma parte do processo, enxergar essa solução e caminhar em direção a ela todos os dias é a outra parte.

Pois, os seus maiores problemas e as soluções reais que precisa implementar na sua vida, por você mesmo e pelas pessoas com as quais se importa, vão te dar a ignição de que precisa para iniciar a jornada que tem pela frente. Trata-se de uma urgência mais forte. Estamos falando de tomar uma decisão… Aquela que o nosso cérebro não gosta, lembra?

Todos temos um objetivo muito maior, para contribuir com o mundo, mas essa é a segunda etapa… Primeiro precisamos de levantar e começar a correr, depois, correr em direção a um objetivo muito maior. Não é abandonar a nossa humanidade por interesses pessoais, é nos preparar e evoluir a ponto de sermos capazes de alcançarmos grandes feitos e que possam impactar a humanidade. Nascemos para tornar o mundo melhor, mas precisamos de nos ajudar a ajudar o mundo, basicamente isso.

O Grande Inimigo na Criação de Bons Hábitos

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O grande vilão de toda a história eu acredito que é: o dia seguinte.

Você vai encontrar a sua forma de realizar um comportamento, vai realizá-lo por alguns dias e adicioná-lo à sua rotina. Vai se sentir motivado por continuar realizando ele. Mas, em alguns momentos, você estará cansado fisicamente para fazê-lo, ou mesmo precisará de uma pausa maior, para descansar a cabeça, sair ou se divertir.

Então, parar um pouco não é o problema. O problema é a vontade de estender essa pausa, pois ela nos gera prazer e bem-estar e, desta forma, sentimos a necessidade de fazê-la novamente. É no cérebro, todos sentem. É comum.

Porém, se no dia seguinte, interrompermos esse fluxo que sentimos com tanta necessidade de realizar uma nova “escapada” e voltarmos ao grande projeto em que estamos trabalhando, nós evitaremos uma interrupção que seria muito maior e prejudicaria o andamento das etapas do grande objetivo. E aí, com o tempo, conseguimos a disciplina correta para as pausas.

É criar o hábito de tornar as pausas como uma parte isolada do hábito de evoluir, não como um novo hábito que interrompe a sua jornada. Mas, vai vir a vontade de parar no dia seguinte, vai vir a vontade de descansar, de recorrer a prazeres para aliviar o estresse – naturalmente vai. Agora, já pensou quão grande é esse estresse perto da insatisfação por não conseguir alcançar o seu grande sonho?

Não quero que você vá se matar de estudar, trabalhar ou focar em projetos o tempo todo. A vida precisa de um equilíbrio entre suas diferentes áreas. O objetivo nisso tudo é que você se esforce para criar bons hábitos antes que os maus hábitos matem, pouco a pouco e sem que você perceba, quem você é ou quem você deveria ser.

Valeu pelo passeio!

 

INSPIRAÇÕES E REFERÊNCIAS: GUIA DO ESTUDANTE E NA PRÁTICA

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