Não contaremos mais uma história?

É bem aquele tipo de pergunta que você se faz antes de dormir, olhando para o teto e revirando os seus pensamentos, depois de ir em uma churrascaria…

Feliz 2019! Você de férias aí na praia ou com o pé em cima do sofá e toma uma reflexão dessas, bicho. Olha essa fera escrevendo um post e ainda nem se recuperou da ressaca de fim de ano…

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Bom, mas antes de responder à pergunta cruel ali do início (quase uma vilã de novela), vamos a uma observação… A escolha é o dilema da humanidade: ao mesmo tempo que escolher nos permite evoluir, a não-escolha também é algo que, inconscientemente, consideramos com relação à sobrevivência.

O nosso cérebro não gosta de escolher, pois ele prefere guardar energia para ações mais importantes à sobrevivência, já que escolher envolve o processo de analisar e pensar – e esse processo gasta muita energia. Essa é até uma das premissas em estratégias de persuasão, diminuir as chances de escolha, reduzindo a atividade de análise e comparação. Faz-se pensar em outras coisas enquanto sutilmente puxa o anzol.

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O nosso cérebro não gosta de escolha, porém gosta de interatividade. O mundo on-line permite isso. Curtir ou não? Compartilhar ou não? Postar essa ou aquela foto? Não postar? Vídeo em 360 graus! Para onde eu olho agora?

Jogos de todos os tipos permitem cada vez mais interação, as quais repercutem em finais alternativos. Como o caso do game Red Dead Redemption 2, jogo bem recente, com 4 finais possíveis de acordo com as decisões do player (pesquisei essa informação quase que de olhos fechados para não tomar spoiler). E estamos falando de games porque a gamificação é algo que traz muito prazer ao nosso cérebro. Gamificação não é puro e simplesmente tornar algo jogável, existe muita lógica por trás disso. Tanto que levaram isso para os filmes… E aí chegamos em Black Mirror Bandersnatch.

“A-ha! Sabia que esse cara tinha fumado algum narcótico virtual.”

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Não sou um fã da série, bem longe disso. Mas assisti e é muito interessante a possibilidade de interagir com o filme. Uma interação rápida, sem esforço e custo, com o controle na mão. Percebe? Um processo fácil de escolha. A possibilidade atinge até quem não acompanha a série. Aqui vemos um filme integrando elementos de game: a escolha, o tempo, a mudança, escolhas simples, escolhas difíceis e finais alternativos (aqui leia-se recompensas).

Então beleza! Não contaremos mais histórias! Deixamos o público contar! Assunto encerrado? Não.

A questão é: Não contaremos mais uma história?

Não.

Contaremos várias histórias.

Teremos uma linha de múltiplas realidades e opções onde é necessário criar uma história tão grande e densa que diferentes interpretações levam a variadas escolhas e produzem resultados alternativos. E isso é fascinante! A chance de errar é maior observando o lado de quem produz? Com certeza! Mas quanto mais tempo o público dedica e se envolve com o produto, maior será a relação criada. A gamificação está no futuro da comunicação.

É bem provável que não contaremos mais uma história.

Sozinhos, pelo menos, eu acredito que não.

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