Startup inova focando na antecipação de recebíveis para micro e pequenos negócios

O milagre brasileiro quem faz, hoje são as PMEs. Não bastasse a concorrência brutal em termos de preço ou as duras exigências contratuais, as PMEs são obrigadas a lidar com prazos prolongadíssimos de pagamento, capazes de inviabilizar qualquer possibilidade de um fluxo de caixa coerente.

A fintech WEEL, que oferece crédito por meio da operação de antecipação de recebíveis empresariais, recentemente divulgou um levantamento baseado na emissão de faturas que somam valor total de R$ 57,72 bilhões. Elas foram emitidas entre janeiro e novembro de 2018 contra 59 grandes companhias multinacionais de segmentos como petróleo, indústria farmacêutica, bebidas, setor automotivo, eletroeletrônica, energia, construção pesada, mineração e aviação.

O resultado evidencia o sofrimento dos pequenos negócios. Veja alguns exemplos:

– Algumas corporações da indústria farmacêutica, fabricantes de pneus e de embalagens de vidro apresentaram as piores médias ponderadas em seus prazos de pagamento a fornecedores: de 81,1 a 172 dias (quase meio ano!).

– Corporações multinacionais de alimentos também são duras em seus termos de pagamento, com média ponderada entre 56,7 e 74 dias.

– Entre as demais empresas apuradas na pesquisa, as quais levaram mais de 70 dias para acertar suas contas, estavam indústrias do setor de telefonia móvel, automotiva e de distribuição de remédios.

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Simcha Neumark, CEO da fintech WEEL

Esse é um obstáculo desproporcional à estatura das PMEs. Elas constituem a ponta mais fraca da corda, e precisam de um fôlego financeiro milagroso para conseguirem se manter na posição de fornecedores das corporações (justamente onde o dinheiro está).

O quadro não parece melhor quando se analisa em conjunto o cenário do crédito destinado a engrossar o capital de giro das PMEs, o qual lhes proveria fôlego para suportar prazos alongados. Pesquisa recente do Sebrae, de 2016, feita a cada dois anos em parceria com a Fundação Getúlio Vargas (FGV), evidenciou a influência da falta de crédito para capital de giro na mortalidade das empresas. Segundo os dados levantados, 33% dos empreendimentos abertos em 2014 (600 mil) fecharam as portas por esse motivo, aliado ao aumento da carga tributária e da retração no consumo.

Cenário do crédito

O crédito, já sabemos, está concentrado nas mãos de quatro bancos (totalizando quase 80% das operações de crédito no Brasil: o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, o Itaú e o Bradesco). Eles estão suficientemente isolados para impor suas próprias regras, que giram em torno de processos pouco claros e altamente burocratizados (além de desconfiados, em função da inadimplência, a qual tornou-se, em 2018, o principal componente do cálculo do spread bancário segundo o Banco Central).

Soma-se a esse quadro a natural dificuldade do pequeno empreendedor de organizar a casa para a sabatina em busca de crédito, além da insegurança jurídica que grassa o país. O resultado é o fluxo insuficiente e caro das mãos das instituições financeiras para os empreendedores. Não à toa, as empresas brasileiras ainda recorrem a ferramentas de crédito condenadas, como cheque especial e crédito rotativo no cartão de crédito.

Há enormes entraves nesse circuito de crédito nacional, um labirinto de dificuldades bem conhecido no mundo empresarial, que para o pequeno e médio empresários torna-se praticamente intransponível. Nos últimos cinco anos, segundo pesquisa do Sebrae divulgada em novembro passado, 6 em cada 10 empresários não tomou nem manteve nenhum empréstimo junto a bancos. Os principais motivos alegados foram as taxas de juros elevadas e a falta de garantias e de avalistas.

O BNDES também não tem sido uma opção para eles. Hoje, apenas 23% de sua carteira de empréstimos são voltados a micro e pequenas empresas. Pesquisa realizada pela Endeavor, no final de 2017, juntamente com a consultoria BCG e junto a empreendedores a ela filiadas, apresentou os mesmos entraves. Restam às PMEs duas fontes de crédito: cooperativas, formadas por cooperados que são simultaneamente seus investidores e seus clientes, tais como Sicred e Sicoob, que praticam juros mais baixos que os bancos, e as Fintechs, startups de tecnologia financeira que somam hoje, no Brasil, quase 500 empresas.

Não há dúvidas a respeito da sinergia que existe entre as Fintechs e as PMEs brasileiras no tocante ao crédito. Os investidores já entenderam sua força – prova disso é que, nos últimos 12 meses, elas, as fintechs de crédito, já arrecadaram mais de R$ 455 milhões em investimentos, o que representa mais de 27% do total investido em fintech no Brasil segundo o monitoramento do Conexão Fintech.

Este é um caminho sem volta para o mercado, o qual, sem dúvida, é capaz de apresentar melhores opções para que as PMEs assegurem seu lugar ao sol.

 

ARTIGO VIA: EKONOMY

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